Homem assim não se ama

Janeiro 21, 2007 at 8:47 pm (Marialbertina)

O Alberto fazia-me lembrar uma música que já não me lembro do nome, mas a batida era igual à batida cardíaca dele. A primeira vez que me deixou pôr a cabeça no peito dele dei por mim com medo que o coração parasse, nunca pararia. Os homens não sabem dançar, ele agarrava sempre na menina mais bonita do espaço, fosse qual fosse, em que nos encontrávamos e acompanhava-a com os braços pousados nela enquanto dançava e dizia-lhe sempre: os homens não sabem dançar. O Alberto não ouvia música porque não, perguntava-me qual é a música da minha vida e eu lembrava-me sempre das marchas fúnebres. Ele não sabia dizer piadas, mas ria-se imenso. Não era alérgico a iogurtes, tinha era vergonha de dizer que não gostava do sabor a leite. Era do signo caranguejo e gostava de Escorpião. O Alberto, às vezes, pegava em mim e dizia frases de livros daqueles muito pesados e depois perguntava porque é que no meu diário eu nunca escrevo palavras caras. Eu dou erros ortográficos, ele nunca se acreditou. O problema era [ele] cheirar a açucar, se não cheirasse a açucar muito boa gente não viraria diabética, mas o Alberto não se importava. Foi ele que me ensinou a andar de patins e passava-me a bola nos jogos de futebol misto. Depois via qualquer pessoa com uma tamanha grandeza que me forçava a discutir com ele. És uma rapariga de ódios. Decidi que nunca mais o queria ver, mas vi. Era eu a dizer que ele amava toda a gente e ele a gritar do outro lado do passeio: sabes lá tu o que é amor. Ele chamava-me ‘rapariga’ quando estava chateado. E disse a toda a gente que eu nunca deixava ninguém entrar em mim, disse que os meus segredos não eram partilháveis e que havia algures em mim uma necessidade de desprezar os outros. E hoje, estava a ouvir uma música no mp3 de alguém e ouvi-lhe o coração.
Meu amor, é lixado quando se nos entra a dentro alguém que nunca nos deixará entrar por ela a dentro também. Já dizia o Miguel ‘ O amor fodido, mas gostei de fodê-lo contigo ‘, homem assim não se ama, come-se e deita-se fora.
Ou não era isso que fazias com elas ?

*não espero que alguém compreenda a sátira*

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Janeiro 10, 2007 at 9:48 pm (Desafogos, Marialbertina)

O mundo não está preparado para os adolescentes.
Penso mesmo que tem medo de nós, senão vejamos, cada vez mais ouvimos expressões do género ‘A juventude está perdida’ a troco de nada ou quase nada, quando a merda em que nos encontramos não tivemos nós tempo de a fazer.
Eu, pessoalmente, culpo a postura e a atitude da nossa parte. Quando olho para grupos – sim, porque estamos todos inseridos num, quer queiramos ou não – vejo futilidade. Sim. Vejo um exagerado interesse pela imagem – isto dito por uma pseudo-futura-estilista soa mesmo bem – lógico que sim. Mas, vejo preocupação por algo, coisa que as antigas gerações não tinham, exceptuando as idas à missa no Domingo. Há cada vez mais vegetarianos, por um corpo mais saudável, para uma cadeia alimentar mais equilibrada, para um quotidiano menos cruel. Há uma sensibilidade ambientalista, para um mundo mais respirável. Há uma noção exacta de quando parar ou seguir em frente. Poucos são os que, maiores de 30 anos, não fumam nem nunca fumaram por convicção – que toda a gente sabe que há muitas mulheres que não fumam porque se casaram com machistas que acham que isso é coisa para homens, mas nem vou por aí.
E somos extremistas. E sou extremista.
Nunca o neguei, acredito que é necessário menos hipocrisia e mais amor pelas nossas causas, sejam quais forem, por isso nunca me calo e, invariavelmente, perco sempre a razão e o respeito. Não se pode ter tudo.
Penso ser esse mesmo o preço do progresso: a falta de credibilidade. Leia o resto deste artigo »

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